Segundo dados publicados no PNCP e em plataformas que espelham o Portal Nacional de Contratações Públicas, o valor estimado da compra é de R$ 17.802.944,79. O processo aparece identificado como PNCP nº 18398974000130-1-000016/2026, referente ao Edital nº 000005/2026, tendo como órgão o Município de Nanuque.

Antes de qualquer conclusão precipitada, é preciso deixar claro: registro de preço não significa que a Prefeitura vai comprar tudo de uma vez. Também não significa, automaticamente, irregularidade. Mas há uma pergunta que a população tem o direito de fazer:
Nanuque realmente precisa registrar quase R$ 18 milhões em materiais de obras com esses volumes?
O próprio Termo de Referência informa que se trata de registro de preço para atender à demanda da Secretaria de Obras de Nanuque e, logo no início, já apresenta números que impressionam: 6.000 m³ de areia fina e 13.000 m³ de areia grossa, totalizando 19.000 m³ de areia. Em uma conta simples, considerando caminhões de 10 m³, isso daria cerca de 1.900 caminhões de areia.
E a areia não está sozinha. No mesmo documento, aparecem 1.500 m³ de brita 0, 2.000 m³ de brita 1, 1.000 m³ de brita 2, além de 1.500 m³ de pó de pedra e 2.000 m³ de solo brita. Somando tudo que envolve brita, pó de pedra e solo brita, são 8.000 m³ — algo próximo de 800 caminhões de 10 m³.
Ou seja: juntando areia, brita, pó de pedra e solo brita, o edital prevê 27.000 m³ de material granulado. Para a população entender: isso representa cerca de 2.700 caminhões carregados. A pergunta é simples, direta e necessária: onde esse material será usado? Em quais bairros? Em quais ruas? Em quais obras?
A lista também chama atenção nos cabos elétricos. O Termo de Referência traz diversos itens de cabo elétrico flexível, incluindo 5.000 metros de cabo 1,5 mm², 2.000 metros de cabo 1 mm², além de vários outros itens com 1.500 metros cada. Somando os itens identificados como cabo elétrico flexível, o volume chega a aproximadamente 33.000 metros, ou seja, 33 quilômetros de cabo.
Também há previsão de 100 pares de bota de segurança e 700 pares de botina de segurança. No total, são 800 pares de calçados de segurança. Isso seria suficiente para calçar 800 trabalhadores. A Prefeitura precisa explicar se esse volume corresponde ao número de servidores, frentes de trabalho, reposição anual, contratos vigentes ou algum plano específico de obras.
Outro número que salta aos olhos é o cimento: o item 222 prevê 7.800 sacos de cimento CP II de 50 kg. Isso equivale a 390 toneladas de cimento. É cimento suficiente para muita obra — e, justamente por isso, precisa vir acompanhado de memória de cálculo, planejamento e indicação clara de onde será aplicado.
O documento ainda prevê 50.000 metros de meio-fio de concreto pré-moldado. Em português claro: são 50 quilômetros de meio-fio. Para uma cidade como Nanuque, isso não é um número qualquer. Se existe planejamento para isso, a população precisa conhecer: quais ruas receberão esse meio-fio? Qual metragem por bairro? Qual cronograma?
Na parte de pavimentação, também aparecem volumes grandes: 50.000 paralelepípedos, 100.000 blocos sextavados, 60.000 blocos sextavados, além de 45.000 peças tipo ossinho e 45.000 tijolinhos de concreto. Somados, são cerca de 300.000 peças de pavimentação.
E há um item que, no mínimo, causa estranheza: o Termo de Referência da Secretaria de Obras inclui 6.500 kg de saco plástico para lixo hospitalar de 200 litros e mais 6.500 kg de saco plástico para lixo hospitalar de 100 litros. São 13 toneladas de sacos com tarja “lixo hospitalar” dentro de um processo voltado à Secretaria de Obras.
Para entender o tamanho dos números

Se tudo fosse usado no limite registrado, o processo prevê aproximadamente:
R$ 17,8 milhões em valor estimado;
19.000 m³ de areia, cerca de 1.900 caminhões;
8.000 m³ de brita, pó de pedra e solo brita, cerca de 800 caminhões;
27.000 m³ somando areia e britas, cerca de 2.700 caminhões;
33 km de cabos elétricos flexíveis;
800 pares de botas e botinas de segurança;
390 toneladas de cimento;
50 km de meio-fio;
300 mil peças de pavimentação;
13 toneladas de saco plástico para lixo hospitalar.
Acesse o Termo de Referência Aquisições de Materiais de Construção: https://www.nanuque.mg.gov.br/editais/tr_material_de_construCAo_08115157.pdf
O problema não é a Prefeitura comprar material. Cidade precisa de manutenção, ruas precisam de obras, prédios públicos precisam de reforma e a Secretaria de Obras precisa funcionar. O problema é outro: quando os números são desse tamanho, a explicação também precisa ser grande, clara e pública.
Registro de Preços não pode virar uma caixa-preta. A população não precisa aceitar uma planilha milionária apenas porque está escrito “compra futura e eventual”. Compra futura também precisa de estudo. Compra eventual também precisa de justificativa. Quantidade estimada também precisa de memória de cálculo.
O Farofa News não afirma que houve irregularidade. Mas aponta que há indícios de superdimensionamento aparente e pontos que exigem esclarecimento público. A Prefeitura precisa apresentar o Documento de Formalização de Demanda nº 738/2026, o Estudo Técnico Preliminar, a memória de cálculo dos quantitativos, a lista de obras previstas, os bairros atendidos, o histórico de consumo dos anos anteriores e o critério usado para chegar a esses números.
Porque a pergunta que fica é uma só:
Nanuque vai receber obras proporcionais a esse volume de material ou estamos diante de mais um edital cheio de números que o povo só descobre depois que a conta aparece?
O Farofa News deixa espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Nanuque e da Secretaria Municipal de Obras.
Fontes consultadas: Termo de Referência do Pregão Eletrônico nº 005/2026, Processo nº 026/2026; dados publicados no PNCP; espelhos de licitação que reproduzem informações do Portal Nacional de Contratações Públicas; página oficial da Prefeitura de Nanuque sobre o certame.
