Uma reviravolta significativa marca a investigação sobre a morte do influenciador digital Paulo Cezar Goulart Siqueira, conhecido como PC Siqueira, ocorrida em 27 de dezembro de 2023, em seu apartamento na zona sul de São Paulo. Um laudo pericial particular, encomendado pela família, concluiu que PC Siqueira foi assassinado por estrangulamento, utilizando um fio de fone de ouvido. Essa conclusão contradiz diretamente os laudos oficiais do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística, que, em 2025, apontaram suicídio por enforcamento com uma cinta de catraca. A divergência acende novas luzes sobre o caso, levando o Ministério Público a barrar o arquivamento e a Polícia Civil a reabrir as apurações, explorando diferentes hipóteses.
A divergência forense principal
O cerne da contestação sobre a morte de PC Siqueira reside na análise das lesões encontradas em seu pescoço. O laudo oficial havia indicado que a causa da morte foi suicídio por enforcamento, utilizando uma cinta de catraca. No entanto, a perícia particular, conduzida por um profissional experiente, apresentou uma interpretação completamente distinta, que coloca em xeque as conclusões iniciais das autoridades. Este novo parecer técnico é a base para a reabertura do caso e a busca por novas linhas de investigação.
Lesões e o instrumento da morte
O documento de 48 páginas, elaborado por Francisco João Aparício La Regina, um ex-perito da Polícia Técnico-Científica e professor com três décadas de experiência na área, detalha as descobertas que levaram à conclusão de assassinato. Segundo o perito particular, o padrão e a largura das marcas no pescoço de PC Siqueira seriam incompatíveis com a cinta de catraca laranja, mais larga, que havia sido apreendida pela perícia oficial no local do incidente. As lesões, de acordo com o especialista, apresentavam características mais condizentes com o uso de um objeto fino, como um fio de fone de ouvido, que também foi encontrado no apartamento. Essa incompatibilidade das lesões com o instrumento inicialmente apontado como causa do enforcamento é a principal evidência da nova teoria.
Diante da significativa divergência entre as conclusões, o fio de fones de ouvido foi encaminhado à Perícia Oficial para que seja realizada uma análise comparativa detalhada entre o objeto e as fotografias das marcas no corpo do influenciador, registradas na época da morte. É importante notar que, como a morte ocorreu há quase três anos, a exumação do corpo não é mais uma possibilidade viável para a obtenção de novas provas diretas. Sendo assim, a análise pericial se baseará em todo o material fotográfico e documental já existente, buscando correlacionar as novas evidências com os registros originais. Esta etapa é crucial para determinar se a nova hipótese tem sustentação técnica suficiente para mudar o rumo da investigação de forma definitiva.
Inconsistências e a continuidade da investigação
A complexidade do caso PC Siqueira se aprofundou com a intervenção do Ministério Público, que impediu o arquivamento do inquérito policial, mesmo após a conclusão inicial pela Polícia Civil. Essa decisão sublinha a percepção de que há elementos ainda não esclarecidos e contradições que necessitam de uma investigação mais aprofundada, indo além da versão de suicídio que havia sido apresentada. A atuação do MP garante que o caso não seja encerrado prematuramente e que todas as hipóteses sejam devidamente exploradas, reforçando a busca pela verdade.
O posicionamento do Ministério Público
A investigação do caso PC Siqueira foi inicialmente concluída em outubro de 2025, pelo 11º Distrito Policial, em Santo Amaro, que manteve a versão de que o influenciador havia cometido suicídio. Contudo, o Ministério Público, ao revisar os autos, identificou uma série de inconsistências nos laudos periciais e contradições significativas nos depoimentos colhidos. Essas falhas e desencontros foram considerados graves o suficiente para que o MP não autorizasse o arquivamento definitivo do caso. A partir dessa decisão, novas linhas de apuração foram abertas, com o objetivo de investigar outras possibilidades que pudessem explicar a morte de PC Siqueira. Entre as hipóteses que agora estão sendo consideradas, incluem-se instigação ao suicídio, homicídio com simulação e omissão de socorro. Até o momento, a investigação ainda não resultou na identificação formal de suspeitos para nenhuma dessas novas frentes de apuração. A pressão para elucidar todas as pontas soltas é grande, dada a repercussão do caso e a gravidade das novas suspeitas.
O papel da ex-namorada e acareação
Maria Luiza Lopes Watanabe, ex-namorada de PC Siqueira, foi ouvida como testemunha no inquérito policial. Em seu depoimento à Polícia Civil, ela relatou que tentou socorrer o influenciador, sem sucesso. Segundo suas declarações, ela teria deixado o apartamento gritando no corredor e pedindo ajuda, após PC Siqueira ter se matado em sua frente, apenas dois dias após o término do relacionamento do casal. No entanto, uma acareação realizada em janeiro de 2026, que a colocou frente a frente com uma vizinha que auxiliou no socorro inicial e cortou a cinta com uma faca, revelou divergências significativas de horários entre os relatos das duas.
A advogada de Maria Luiza, Clarissa Azevedo, divulgou uma nota pública na qual afirma que “não há qualquer acusação formal ou imputação concreta” contra sua cliente. Na mesma nota, a defesa de Maria Luiza enfatiza que os laudos oficiais do Estado “são elaborados com critérios técnicos, imparcialidade e controle institucional”, contrastando-os com pareceres particulares, que, segundo ela, “são produzidos por profissionais contratados por uma das partes”. Essa declaração sugere uma desqualificação da perícia particular em favor dos documentos oficiais, embora estes últimos sejam justamente o ponto de discórdia que levou à reabertura do caso pelo Ministério Público.
Os desdobramentos e o futuro do caso
A investigação sobre a morte de PC Siqueira permanece em aberto, ganhando novas camadas de complexidade após a entrega do laudo pericial particular. A defesa da família do influenciador, por sua vez, optou por não se manifestar publicamente sobre o assunto, alegando que o processo corre sob sigilo. Este sigilo reforça a sensibilidade do caso e a necessidade de cautela nas informações divulgadas, para não comprometer as apurações em andamento.
O novo laudo foi formalmente entregue ao 11º Distrito Policial, que agora tem a responsabilidade de integrar as novas informações à investigação. O caso continua ativo na Polícia Civil, no Ministério Público e na Justiça, indicando que todas as frentes estão mobilizadas para esclarecer os fatos. Pessoas próximas ao influenciador digital, que contava com 37 anos e mais de 4 milhões de seguidores nas redes sociais quando foi encontrado morto, passaram a ser alvo de novas análises. Embora não haja suspeitos formalmente identificados até o momento, a reabertura da investigação e a exploração de novas hipóteses aumentam a expectativa por respostas definitivas sobre o que realmente aconteceu no apartamento de PC Siqueira. A sociedade e os familiares aguardam ansiosamente por um desfecho claro e justo para este intrincado mistério.
Perguntas frequentes
Qual é a principal conclusão da perícia particular?
A perícia particular solicitada pela família de PC Siqueira concluiu que o influenciador foi assassinado por estrangulamento com o fio de um fone de ouvido. Essa conclusão contradiz os laudos oficiais que apontaram suicídio por enforcamento.
Por que a perícia particular diverge dos laudos oficiais?
O perito particular apontou que o padrão e a largura das lesões no pescoço de PC Siqueira eram incompatíveis com a cinta de catraca laranja mencionada nos laudos oficiais, e sim compatíveis com um fio fino de fones de ouvido.
Qual o papel do Ministério Público no caso?
O Ministério Público barrou o arquivamento do inquérito, mesmo após a Polícia Civil concluir a versão de suicídio. O MP identificou inconsistências em laudos e contradições em depoimentos, abrindo novas linhas de investigação como instigação ao suicídio, homicídio com simulação e omissão de socorro.
A ex-namorada de PC Siqueira é considerada suspeita?
Até o momento, não há qualquer acusação formal ou imputação concreta contra a ex-namorada, Maria Luiza Lopes Watanabe. Ela foi ouvida como testemunha, e uma acareação identificou divergências de horários em seu relato com o de uma vizinha.
Acompanhe as atualizações sobre este caso complexo e de grande repercussão para entender os próximos passos da investigação.
