O Governo do Distrito Federal (GDF) nomeou Celso Eloi de Souza Cavalhero, atual superintendente da Caixa, para o cargo de presidente do Banco de Brasília (BRB). A indicação surge após o afastamento judicial de Paulo Henrique Costa, antigo presidente da instituição. A nomeação ainda depende de aprovação pela Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Em comunicado oficial, o GDF justificou a escolha de Cavalhero como uma medida para “assegurar a continuidade administrativa e financeira do BRB”. O banco está no centro das investigações que levaram à deflagração da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF).
A Operação Compliance Zero investiga a emissão de títulos de créditos falsos por instituições financeiras, que simulavam empréstimos e outras operações para inflar seus ativos. Essas carteiras de crédito eram, então, vendidas a outros bancos. Após aprovação contábil do Banco Central, os créditos fraudulentos eram substituídos por outros ativos sem a devida avaliação técnica.
A PF já efetuou seis prisões relacionadas à operação, incluindo a de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, detido quando tentava deixar o país em um jato particular. Além das prisões, foram apreendidos aproximadamente R$ 1,6 milhão em dinheiro, obras de arte, carros e relógios de luxo. Mandados judiciais foram cumpridos no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal.
Além de Paulo Henrique Costa, o diretor de Finanças e Controladoria do BRB, Dario Oswaldo Garcia Júnior, também foi afastado temporariamente por decisão judicial.
As investigações da PF, que tiveram início em 2024, revelaram um esquema de fraudes que pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. O Banco Master, de Vorcaro, é o principal foco da investigação, após adotar uma política agressiva de captação de recursos, oferecendo rendimentos acima da média do mercado.
Em março deste ano, o BRB havia anunciado a intenção de comprar o Banco Master por R$ 2 bilhões, o equivalente a 75% do patrimônio consolidado do banco de Vorcaro. No entanto, o Banco Central rejeitou a aquisição no início de setembro.
Em nota, o BRB declarou que “sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência” e que tem prestado informações ao Ministério Público Federal e ao Banco Central sobre as negociações de compra do Banco Master. O GDF também assegurou que o BRB mantém plena capacidade operacional, com segurança administrativa e financeira, e que todas as rotinas bancárias e serviços aos clientes seguem em funcionamento regular. O governo distrital afirmou que adotará medidas internas adicionais para reforçar os mecanismos de governança, compliance e controle interno.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
