A Colômbia se prepara para um domingo eleitoral decisivo, com o primeiro turno das eleições presidenciais prometendo definir os rumos do país nos próximos anos. As urnas estarão abertas das 8h às 16h, horário local, em um pleito marcado por alta polarização e um clima de tensão. Este processo eleitoral ocorre menos de um ano após o brutal assassinato de Miguel Uribe Turbay, um senador e pré-candidato de direita, cujo trágico fim em Bogotá reverberou por toda a nação. A disputa pela Casa de Nariño coloca em evidência figuras de diferentes espectros políticos, desde o candidato apoiado pelo atual governo até representantes da direita mais tradicional e emergentes nomes anti-establishment, prometendo um embate acirrado e com alto impacto nas políticas futuras da Colômbia.
Eleições na Colômbia: um cenário de tensão e incerteza
As eleições presidenciais na Colômbia de 2026 são mais do que um simples exercício democrático; elas representam um momento de profunda reflexão e escolha para uma nação historicamente dividida. O contexto atual é de incerteza, com questões de segurança, desenvolvimento econômico e o legado do processo de paz dominando o debate público. A sombra da violência política, uma constante na história colombiana, paira sobre o pleito, adicionando uma camada de gravidade ao já complexo cenário. A busca por um líder capaz de unir o país e enfrentar seus desafios multifacetados é o grande motor desta corrida presidencial.
O impacto do assassinato de Miguel Uribe Turbay
Em 7 de junho de 2025, a Colômbia foi abalada pelo atentado que vitimou o senador e pré-candidato Miguel Uribe Turbay, baleado três vezes durante um comício no parque El Golfito, em Bogotá. Uribe Turbay, com apenas 39 anos, faleceu em 11 de agosto, após dois meses hospitalizado. Sua morte representou um choque para a política nacional, não apenas pela brutalidade do ato, mas também pelo seu peso simbólico. Neto do ex-presidente liberal Julio César Turbay Ayala (1978-1982) e filho da jornalista Diana Turbay, sequestrada e morta pelo Cartel de Medellín em 1991, Miguel Uribe carregava um legado familiar profundamente entrelaçado com a história política e a violência do país. O autor dos disparos, um jovem de 15 anos, foi detido, e seis pessoas foram indiciadas por cumplicidade, mas a investigação sobre os mandantes e motivações mais amplas segue em curso, mantendo viva a memória do trágico evento e influenciando o clima eleitoral com um forte apelo à segurança e à ordem.
Os principais nomes na corrida presidencial
A corrida pela presidência colombiana é dominada por três figuras centrais que representam as principais vertentes ideológicas do país. Cada um com sua própria trajetória e propostas, eles buscam angariar o apoio necessário para conduzir a Colômbia em um momento crítico. As últimas pesquisas indicam uma disputa acirrada, com a possibilidade de um segundo turno sendo amplamente considerada. A diversidade de perfis e plataformas reflete a complexidade do eleitorado colombiano e as diferentes aspirações da sociedade.
Iván Cepeda: a continuidade da esquerda
O favorito para este primeiro turno é o senador Iván Cepeda, de 65 anos. Representando o Pacto Histórico e recebendo o apoio explícito do atual presidente Gustavo Petro, Cepeda emerge como a figura da continuidade para o campo da esquerda colombiana. Sua trajetória política é marcada pela defesa dos direitos humanos, busca pela paz e justiça social. As últimas pesquisas, como a da Invamer divulgada em 28 de março, indicam que ele detém 44,6% das intenções de voto, um patamar robusto, mas insuficiente para garantir a vitória no primeiro turno, que exige 50% mais um voto. A plataforma de Cepeda e do Pacto Histórico foca na aprofundamento das reformas sociais, na ampliação da política de “Paz Total” – que busca dialogar com diversos grupos armados para alcançar um cessar-fogo e desarmamento – e na promoção de políticas de inclusão e equidade, buscando reduzir as profundas desigualdades sociais e regionais do país.
Abelardo de la Espriella: a ascensão do ‘Bukele colombiano’
Em segundo lugar nas pesquisas, com 31,6% das intenções de voto, surge Abelardo de la Espriella, de 47 anos. Advogado criminalista e empresário, De la Espriella é uma figura fora do establishment político, nunca tendo ocupado um cargo eletivo. Ele construiu sua candidatura de forma independente, através da coleta de assinaturas para o movimento “Defensores da Pátria”. Sua plataforma é marcadamente conservadora e linha-dura, defendendo uma militarização intensiva do país, a construção de megapresídios de segurança máxima e a erradicação massiva de plantações de coca, indo de encontro à política de “Paz Total” de Petro, que ele propõe encerrar. Na esfera econômica, ele advoga pela redução do tamanho do Estado, cortes de impostos e a implementação de inteligência artificial na gestão pública. Essa combinação de propostas e sua retórica gerou comparações com líderes como Nayib Bukele de El Salvador e Javier Milei da Argentina, especialmente em sua ênfase na segurança e restauração da ordem, características da extrema direita. “Não sou um político”, afirmou em comício, criticando a classe política tradicional por “nunca cumprir suas promessas”, estratégia que ressoa em parte do eleitorado insatisfeito.
Paloma Valencia: a voz do uribismo institucional
A senadora Paloma Valencia Laserna, de 48 anos, é a terceira principal candidata, registrando 14% nas pesquisas. Representando o Centro Democrático, partido fundado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, Valencia é a personificação da “direita institucional” colombiana. Com 12 anos de experiência no Senado, ela venceu a consulta interna de seu partido em março, superando outras senadoras influentes. Sua plataforma propõe a incorporação de 30 mil novos militares e 30 mil policiais para fortalecer a segurança pública, cortes de impostos empresariais, a eliminação do imposto sobre patrimônio e uma profunda recuperação do sistema de saúde. Sua candidatura é abertamente alinhada com o legado de Álvaro Uribe, que a descreveu como uma “aluna aplicada” de seu movimento. Se eleita, Paloma Valencia fará história como a primeira mulher a presidir a Colômbia, um marco significativo para o país. Ela encarna a busca por um retorno aos valores de “mão firme” e segurança que caracterizaram as gestões uribistas.
Pesquisas e o imprevisível segundo turno
O cenário eleitoral colombiano aponta para uma grande possibilidade de que a eleição seja decidida em um segundo turno. Embora o senador Iván Cepeda lidere as intenções de voto, a ausência da maioria absoluta (50% mais um voto) significa que o pleito provavelmente se estenderá para junho. As projeções para o segundo turno, no entanto, divergem significativamente entre as principais pesquisas. A Invamer indica que Cepeda venceria Abelardo de la Espriella em uma eventual disputa final. Contudo, a pesquisa Guarumo apresenta um panorama diferente, projetando uma vitória de De la Espriella no mesmo cenário, descrevendo essa eventual disputa como “muito mais acirrada e incerta”. A senadora Paloma Valencia, apesar de sua representatividade, não aparece em nenhuma projeção de segundo turno nas pesquisas mais recentes, sugerindo que sua base eleitoral não seria suficiente para levá-la à etapa final. Essa divergência nas projeções evidencia a volatilidade do eleitorado e a imprevisibilidade de um segundo turno que promete ser intenso e disputado até o último voto.
Perguntas frequentes sobre as eleições na Colômbia
Qual é o histórico de violência política na Colômbia?
A Colômbia possui um longo e doloroso histórico de violência política, marcado por conflitos armados entre guerrilhas, paramilitares e forças estatais, além de atentados e assassinatos de líderes políticos e sociais. A morte de Miguel Uribe Turbay, embora chocante, infelizmente se insere nesse padrão, lembrando a sociedade dos desafios persistentes para a construção de uma paz duradoura e estabilidade democrática.
O que representa o “uribismo” na política colombiana?
O “uribismo” é uma corrente política colombiana associada ao ex-presidente Álvaro Uribe Vélez e ao seu partido, o Centro Democrático. Caracteriza-se por uma forte ênfase na segurança nacional, combate rígido à criminalidade e ao terrorismo, defesa da propriedade privada, liberalismo econômico moderado e uma postura conservadora em questões sociais. Paloma Valencia é uma das principais representantes dessa ideologia.
O que significa a política de “Paz Total” mencionada por Abelardo de la Espriella?
A política de “Paz Total” é uma iniciativa do governo do presidente Gustavo Petro, buscando estabelecer diálogos e acordos de paz com diversos grupos armados ilegais que operam na Colômbia, incluindo guerrilhas e gangues criminosas. O objetivo é alcançar um cessar-fogo multilateral, desarmamento, desmobilização e reintegração desses grupos à vida civil, em um esforço para pôr fim à violência e construir uma paz abrangente no país.
Mantenha-se informado sobre os desdobramentos deste pleito crucial para o futuro da Colômbia, acompanhando de perto os resultados e suas implicações.
