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O Congresso acelera debate sobre a redução da maioridade penal no Brasil

A redução da maioridade penal emergiu novamente como um dos temas mais polarizados e urgentes no cenário político brasileiro, com o Congresso Nacional intensificando as discussões sobre diversas propostas que visam alterar o limite etário para a imputabilidade criminal. Impulsionado por casos de alta repercussão

Morte de cão Orelha ajudou a reacender debate sobre redução da maioridade penal. (Foto: Letyci...

A redução da maioridade penal emergiu novamente como um dos temas mais polarizados e urgentes no cenário político brasileiro, com o Congresso Nacional intensificando as discussões sobre diversas propostas que visam alterar o limite etário para a imputabilidade criminal. Impulsionado por casos de alta repercussão envolvendo adolescentes na prática de crimes graves, o debate reflete uma crescente demanda social por medidas mais rigorosas. A busca por maior segurança e a percepção de impunidade juvenil alimentam a pressão sobre os legisladores, que agora se veem diante do desafio de equilibrar a proteção de crianças e adolescentes com a necessidade de respostas eficazes à criminalidade, mergulhando em complexas questões jurídicas, sociais e éticas que envolvem o futuro de milhares de jovens e a segurança da população.

O debate sobre a redução da maioridade penal: contexto e propostas

A urgência da discussão e os catalisadores

O Brasil vive um momento de efervescência no debate sobre a redução da maioridade penal, impulsionado por uma série de eventos que reacendem a discussão no Congresso Nacional. Casos de grande visibilidade, onde adolescentes são flagrados em atos infracionais de alta gravidade, como latrocínios, estupros e homicídios, frequentemente dominam o noticiário e mobilizam a opinião pública. A comoção gerada por essas ocorrências alimenta um sentimento de insegurança e de impunidade, levando a uma forte pressão popular por respostas mais rígidas do sistema de justiça. As redes sociais se tornam um palco para manifestações em massa, pedindo que adolescentes infratores sejam julgados e punidos como adultos, na crença de que essa medida serviria como um freio à criminalidade juvenil.

Essa pressão social é um dos principais catalisadores para a retomada do debate parlamentar. Legisladores, sensíveis às demandas de seus eleitores e à comoção pública, pautam novamente projetos de lei e Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que há anos tramitam no Congresso. A percepção de que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) seria “brando” ou inadequado para lidar com crimes de extrema violência cometidos por jovens contribui para a urgência em buscar alternativas, mesmo que controversas. A mídia, ao dar ampla cobertura aos crimes e às discussões, amplifica a complexidade do tema, colocando em evidência as diferentes visões e os potenciais impactos de uma eventual mudança na legislação.

A legislação atual e as PECs em tramitação

Atualmente, a legislação brasileira estabelece a maioridade penal em 18 anos, conforme o artigo 228 da Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90). Menores de 18 anos que cometem atos infracionais, que correspondem a crimes na legislação penal comum, não são julgados pelo Código Penal. Em vez disso, são submetidos às medidas socioeducativas previstas no ECA, que visam à sua reeducação e ressocialização. Essas medidas incluem advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e, em casos mais graves, internação em estabelecimento educacional por um período máximo de três anos. A internação é uma medida privativa de liberdade, mas com caráter pedagógico, distinta da pena de prisão para adultos.

No Congresso, diversas propostas buscam alterar esse cenário. A mais notória delas é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171/93, que propõe a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos para crimes hediondos, tráfico de drogas e terrorismo. Essa PEC é a que mais avançou no processo legislativo, tendo sido aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados em 2015, mas enfrentando resistências significativas e ainda aguardando votação em segundo turno e, posteriormente, no Senado.

Além da PEC 171/93, outras propostas em tramitação abordam o tema com diferentes nuances. Algumas sugerem a criação de um sistema híbrido, onde adolescentes entre 16 e 18 anos seriam submetidos a um regime penal diferenciado, combinando elementos do ECA com o Código Penal, ou mesmo a possibilidade de serem julgados como adultos a partir da gravidade do crime e da avaliação de sua capacidade de discernimento. Essas propostas refletem a diversidade de opiniões dentro do parlamento e a dificuldade em se chegar a um consenso sobre uma questão tão multifacetada e carregada de implicações sociais.

Argumentos a favor e contra a medida

Defensores da redução: mais rigor e segurança

Os defensores da redução da maioridade penal baseiam seus argumentos em pilares como a busca por maior segurança pública, a ideia de responsabilização e a percepção de que adolescentes, especialmente aqueles com 16 ou 17 anos, já possuem discernimento suficiente para responder por seus atos criminosos. Um dos principais pontos levantados é o efeito dissuasório que a medida poderia ter. Acredita-se que a possibilidade de serem julgados como adultos, com penas mais severas e em presídios comuns, inibiria jovens de cometerem crimes, especialmente os mais violentos, resultando em uma diminuição da criminalidade juvenil.

Além disso, argumenta-se que a atual legislação, o ECA, é vista por parte da população como “branda” e ineficaz para lidar com a gravidade de certos crimes. A internação máxima de três anos, independentemente do tipo de delito, é frequentemente criticada como insuficiente para crimes hediondos, gerando um sentimento de impunidade. Os proponentes da redução enfatizam que muitos jovens nessa faixa etária já demonstram maturidade para entender as consequências de suas ações e, portanto, deveriam ser responsabilizados de forma proporcional à gravidade de seus atos, contribuindo para uma maior justiça social e para a proteção das vítimas. Para muitos, a redução da maioridade penal é uma resposta direta à crescente violência e uma forma de restabelecer a ordem e a segurança nas comunidades.

Opositores da redução: direitos humanos e eficácia questionada

Por outro lado, os opositores da redução da maioridade penal levantam preocupações significativas baseadas em direitos humanos, estudos criminológicos e a ineficácia da medida em combater as causas da criminalidade. Um dos principais argumentos é que a medida contraria princípios fundamentais do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e de convenções internacionais das quais o Brasil é signatário, como a Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU, que estabelecem um tratamento diferenciado para adolescentes. A “adultização” de menores de 18 anos é vista como uma violação desses direitos, expondo-os a um sistema prisional inadequado e violento, que não promove a recuperação e aumenta as chances de reincidência.

Estudos e dados de países que adotaram a redução da maioridade penal frequentemente mostram que a medida não resulta em diminuição da criminalidade. Pelo contrário, pode levar ao aumento da violência, com adolescentes sendo recrutados por facções criminosas dentro das prisões e retornando à sociedade mais perigosos e sem perspectivas de ressocialização. Especialistas em direito, sociologia e psicologia argumentam que a criminalidade juvenil está intrinsicamente ligada a fatores sociais como a pobreza, a falta de acesso à educação de qualidade, a desestruturação familiar e a ausência de oportunidades. Reduzir a maioridade penal, para eles, seria tratar o sintoma sem atacar a doença, desviando o foco das políticas públicas preventivas e de inclusão social que são consideradas mais eficazes a longo prazo. Além disso, há o risco de o sistema prisional já superlotado ser ainda mais sobrecarregado, piorando as condições gerais e a segurança de todos.

Perspectivas e o futuro da tramitação legislativa

O caminho no Congresso e o papel da sociedade

O caminho para a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altere a redução da maioridade penal é longo e complexo no Congresso Nacional. Para ser promulgada, uma PEC precisa ser aprovada em dois turnos em cada uma das Casas (Câmara dos Deputados e Senado Federal), com um mínimo de três quintos dos votos dos parlamentares em cada votação. Esse rito exige uma articulação política robusta e a formação de amplas maiorias, o que se mostra desafiador em um tema tão divisivo.

A tramitação é marcada por intensos debates, audiências públicas e a mobilização de diferentes setores da sociedade civil. Organizações de direitos humanos, juristas, educadores e movimentos sociais atuam ativamente para alertar sobre os riscos e as consequências negativas da medida, pressionando os parlamentares a rejeitarem as propostas. Por outro lado, grupos favoráveis à redução, frequentemente impulsionados pela opinião pública e pela mídia, exercem pressão para que a pauta avance. O papel das lideranças partidárias e a sensibilidade dos congressistas às demandas de suas bases eleitorais são cruciais para definir o ritmo e o desfecho das discussões, que podem levar anos até uma decisão final ou mesmo à estagnação das propostas.

Implicações sociais e jurídicas de uma eventual mudança

Caso a redução da maioridade penal seja aprovada, as implicações sociais e jurídicas para o Brasil seriam profundas e de longo alcance. No âmbito jurídico, a mudança exigiria uma revisão significativa de leis e procedimentos, adaptando o sistema penal e o sistema socioeducativo para acomodar a nova realidade. Haveria a necessidade de definir se os adolescentes seriam julgados por tribunais comuns, se cumpririam pena em estabelecimentos prisionais específicos para jovens ou em celas separadas em presídios adultos, e como seriam gerenciadas as transições entre os sistemas.

Socialmente, as consequências poderiam ser ainda mais complexas. A experiência internacional e estudos nacionais sugerem que a simples redução da maioridade penal não é uma solução eficaz para a criminalidade. Ao invés de promover a ressocialização, a inserção de adolescentes em presídios adultos pode expô-los a um ambiente de alta criminalidade, recrutamento por facções e violência, dificultando sua reintegração à sociedade e aumentando as taxas de reincidência. Além disso, a medida poderia exacerbar problemas sociais já existentes, como a superlotação carcerária, a estigmatização de jovens de comunidades vulneráveis e a desestruturação familiar. Há também a preocupação com o impacto na percepção da sociedade sobre o papel do Estado na proteção e desenvolvimento de crianças e adolescentes, e o alinhamento do Brasil com os padrões internacionais de direitos humanos.

Perguntas frequentes sobre a redução da maioridade penal

O que é a maioridade penal no Brasil?
Atualmente, a maioridade penal no Brasil é de 18 anos. Isso significa que pessoas com 18 anos ou mais são consideradas penalmente responsáveis por seus atos criminosos, sendo julgadas pelo Código Penal. Adolescentes com menos de 18 anos que cometem atos infracionais são regidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e submetidos a medidas socioeducativas, que podem incluir a internação em centros específicos por um período máximo de três anos.

Quais são os principais argumentos a favor da redução da maioridade penal?
Os defensores da redução da maioridade penal argumentam que jovens de 16 ou 17 anos já possuem discernimento suficiente para responder por seus atos, especialmente em crimes graves. Acreditam que a medida promoveria maior sensação de segurança, inibiria a criminalidade juvenil pela ameaça de penas mais severas, e traria mais justiça às vítimas, que veem o sistema atual como brando e ineficaz para crimes hediondos.

Quais são as principais críticas à redução da maioridade penal?
Os opositores criticam a redução da maioridade penal por considerar que ela viola princípios de direitos humanos e convenções internacionais que o Brasil assinou. Argumentam que a medida não resolve a raiz da criminalidade juvenil, que está ligada a fatores sociais como pobreza e falta de oportunidades. Além disso, alertam para o risco de inserir adolescentes em um sistema prisional adulto já superlotado e violento, o que poderia piorar a situação desses jovens e aumentar a reincidência criminal, em vez de ressocializá-los.

Como a redução da maioridade penal afetaria o sistema prisional brasileiro?
A redução da maioridade penal poderia impactar significativamente o já problemático sistema prisional brasileiro. Com o ingresso de adolescentes em unidades prisionais para adultos, haveria um aumento da superlotação, expondo esses jovens a ambientes de maior violência e cooptando-os por facções criminosas. Além disso, os presídios não possuem a estrutura necessária para a reabilitação de menores, o que poderia agravar a situação de segurança pública no longo prazo.

Para se aprofundar nas discussões e acompanhar os próximos passos legislativos, continue acompanhando as análises de nossos especialistas.

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br

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