A implementação do sistema de “split payment”, previsto na reforma tributária, começa a gerar discussões sobre seus impactos na gestão financeira das empresas. A nova sistemática de arrecadação, que visa antecipar a receita do governo, altera o fluxo de caixa das companhias, exigindo adaptação e planejamento.
O split payment, em tradução livre “pagamento dividido”, representa uma mudança na forma como o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) é recolhido. Ao invés do modelo tradicional, onde o imposto é pago ao final do ciclo de produção e comercialização, o split payment propõe a divisão do pagamento no momento da transação. Em outras palavras, parte do valor pago pelo consumidor é destinada diretamente ao governo, enquanto a outra parte é direcionada ao vendedor.
Essa antecipação da receita para o governo pode ter um impacto significativo no capital de giro das empresas. Tradicionalmente, as companhias contam com o período entre a venda e o pagamento do imposto para gerenciar suas finanças. Com o split payment, essa folga é reduzida, exigindo maior controle sobre o fluxo de caixa e, possivelmente, a necessidade de buscar linhas de crédito para suprir a diferença.
A medida, por outro lado, tem como objetivo combater a sonegação fiscal e aumentar a eficiência na arrecadação de impostos. Ao garantir o recebimento imediato de parte do IVA, o governo espera reduzir a inadimplência e aumentar a previsibilidade da receita.
O desafio para as empresas reside na adaptação a essa nova realidade. Será necessário ajustar os sistemas de gestão financeira, rever os processos de faturamento e pagamento, e planejar o fluxo de caixa de forma mais rigorosa. A complexidade da implementação pode variar dependendo do setor de atuação e do porte da empresa. Pequenas e médias empresas, em particular, podem enfrentar maiores dificuldades na adequação às novas regras.
Embora o objetivo principal do split payment seja otimizar a arrecadação para o governo, é crucial que as empresas compreendam e se preparem para os impactos em suas operações. Uma gestão financeira eficiente e um planejamento tributário estratégico serão fundamentais para mitigar os efeitos negativos e garantir a sustentabilidade do negócio nesse novo cenário. A medida exige atenção redobrada e adaptação rápida para que as empresas consigam manter sua saúde financeira em um ambiente de constante mudança.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
