O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, teceu duras críticas à iniciativa de governadores da oposição em buscar o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas. Para o ministro, tal medida representaria uma “traição à pátria”, com o potencial de abrir precedentes para a interferência de atores internacionais em questões de segurança interna do Brasil.
As declarações foram feitas em entrevista, onde Boulos questionou a eficácia prática da mudança na classificação jurídica para o combate ao tráfico de drogas. “Você vai combater o tráfico de drogas mudando o nome de narcotraficante para terrorista? Isso não muda um ‘A’”, afirmou o ministro, argumentando que a proposta não traria alterações significativas nas estratégias de combate ao crime.
A reação do ministro surge em resposta à criação do “Consórcio da Paz”, uma articulação entre governadores de centro e direita, idealizada após a polêmica operação policial no Rio de Janeiro, que resultou em mais de uma centena de mortes. O objetivo do consórcio é promover ações coordenadas de segurança pública entre os estados e impulsionar propostas legislativas, como o projeto de lei que visa alterar a Lei Antiterrorismo.
O projeto de lei em questão, que busca classificar organizações como o PCC, o Comando Vermelho e as milícias como terroristas, está em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, onde já teve sua análise adiada diversas vezes.
Boulos também alinhou seu discurso com o do presidente Lula ao comentar a operação no Rio de Janeiro, concordando com a classificação de “matança”. Segundo o ministro, o governo federal tem demonstrado seu compromisso com a segurança pública através de propostas concretas, como a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção, que visam ampliar a atuação da União na área.
O ministro criticou a postura de setores da oposição, alegando que buscam capitalizar politicamente em cima do medo e da insegurança da população. “Nós queremos enfrentar de verdade o problema da segurança e do crime organizado. Isso passa pelo quê? Pegar peixe grande”, defendeu Boulos.
Ao ser questionado sobre o apoio popular demonstrado em pesquisas à operação no Rio de Janeiro e à atuação do governador local, Cláudio Castro, Boulos relativizou os dados, comparando a situação com o Massacre do Carandiru, em 1992, quando a população paulista teria aplaudido a ação policial. O ministro alertou para os riscos de se pautar decisões políticas baseadas em reações imediatistas, mencionando a necessidade de um debate mais aprofundado sobre o tema.
Fonte: www.conexaopolitica.com.br
